Mounjaro

Mounjaro é comparticipado pelo SNS? Descubra neste artigo.

À data de publicação deste artigo, infelizmente não, o Mounjaro (tirzepatida) não é comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde para o tratamento da obesidade ou do excesso de peso em Portugal.

O utente suporta o custo total na farmácia, independentemente de ter receita médica. O medicamento está disponível nas farmácias portuguesas e exige prescrição, porém receita e comparticipação são conceitos distintos.

Informação atualizada em Outubro de 2026

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Mounjaro é comparticipado em Portugal?

Para a indicação de controlo do peso e tratamento da obesidade: não, e não existe qualquer exceção em vigor. Todos os medicamentos atualmente disponíveis em Portugal para o tratamento da obesidade, como Mounjaro (tirzepatida), Wegovy (semaglutido), Saxenda (liraglutido), etc, são totalmente suportados pelo utente, com necessidade de receita médica.

A situação é igual mesmo quando o Mounjaro é prescrito para pessoas com diabetes tipo 2, ao contrário do que acontece com o Ozempic (semaglutido). Nesse contexto, a tirzepatida não é comparticipada ao abrigo dos regimes aplicáveis aos antidiabéticos.

Porém, essa situação poderá mudar e os critérios concretos devem ser confirmados com o médico e a farmácia em cada caso. Esta potencial comparticipação não abrangeria, no entanto, o uso para perda de peso.

Mounjaro: comparticipação possível num futuro próximo

O INFARMED tem estado a analisar a possibilidade da comparticipação do Mounjaro mas, por enquanto, ainda não foi publicada qualquer decisão. O processo teve início formal em Novembro de 2025.

O Despacho n.º 13066/2025, de 6 de Novembro, assinado pela secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, criou o Programa Nacional de Prevenção e Gestão de Obesidade e determinou que o INFARMED realizasse um estudo de avaliação para a comparticipação de medicamentos nos doentes obesos, com um prazo de 30 dias a partir da publicação.

Um estudo do INFARMED estimou que a comparticipação estatal de medicamentos para a obesidade para os doentes elegíveis poderá custar entre 194,8 e 954,4 milhões de euros num período de dois anos, um peso financeiro significativo para o SNS. O relatório foi concluído em Dezembro de 2025 e entregue à tutela.

Em Fevereiro de 2026, o Ozempic (semaglutido) passou a ser comparticipado pelo SNS para adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou alto risco cardiovascular, uma decisão que se distingue da comparticipação para obesidade sem diabetes, que continua por definir.

Já em Maio de 2026, o Governo anunciou estar prestes a decidir o modelo de comparticipação dos medicamentos injetáveis para a obesidade, com a secretária de Estado da Saúde a deixar claro que o acesso comparticipado será limitado a critérios clínicos definidos e a doentes acompanhados por equipas multidisciplinares.

Quem poderá ter acesso a uma futura comparticipação?

Nada está decidido oficialmente, mas as indicações disponíveis apontam para um acesso restrito. Segundo a secretária de Estado da Saúde, a comparticipação não será uma prescrição livre e estará limitada às equipas multidisciplinares, sendo que apenas os doentes enquadrados na norma, com obesidade mórbida (IMC >40 ou IMC >35 com comorbilidades associadas), poderão aceder a estes medicamentos com apoio público.

Para enquadramento: a obesidade de classe I corresponde geralmente a um IMC entre 30,0 e 34,9 kg/m²; a classe II situa-se entre 35,0 e 39,9 kg/m²; e a classe III (obesidade mórbida) a 40 kg/m² ou mais.

Se o regime final seguir estes contornos, pessoas com obesidade de classe I ou apenas excesso de peso poderão ficar excluídas da comparticipação, embora os critérios definitivos dependam exclusivamente da decisão oficial.

O relatório do Infarmed de Dezembro de 2025 recomendou que, caso se opte pela criação de um regime excecional de comparticipação, este contenha critérios explícitos de elegibilidade com base no Percurso de Cuidados Integrados para a Pessoa com Obesidade, bem como critérios bem definidos ao nível das condições de prescrição, início e interrupção do tratamento e monitorização.

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Mounjaro: preço Portugal com receita?

Sem comparticipação aplicável, o utente paga o PVP integral. Os valores variam consoante a dosagem prescrita, podendo ir de cerca de 183 euros nas dosagem mais baixa até cerca de 430 euros nas dosagens superiores, por embalagem mensal (uma caneta com quatro doses semanais).

Para confirmar o PVP atual de cada apresentação, consulte o Infomed em infomed.infarmed.pt, os preços são regulados e podem sofrer atualizações periódicas.

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Fonte: INFARMED/Infomed, valores referenciados a Maio de 2026. Consulte sempre a sua farmácia local para confirmação.

Em comparação: o Ozempic pode ser comparticipado quando prescrito dentro das indicações e critérios aprovados para diabetes tipo 2, com obesidade ou risco cardiovascular elevado.

Receita médica não significa então que o Mounjaro fica mais barato?

Como referido, para já, ter receita médica não cria nem implica qualquer comparticipação, nem reduz o preço pago na farmácia.

A receita é um requisito legal para adquirir o Mounjaro, sem ela, a compra é ilegal, mas não tem qualquer efeito sobre o custo enquanto não existir um regime de comparticipação em vigor para a indicação em causa.

O Mounjaro só deve ser adquirido numa farmácia autorizada, com receita válida. O INFARMED e a DECO emitiram alertas sobre tirzepatida contrafeita à venda em redes sociais, sites ilegais, grupos de Facebook, OLX e outros canais informais.

Estes produtos podem não conter princípio ativo, apresentar dosagens incorretas ou ter sido armazenados de forma inadequada, sendo que a tirzepatida requer cadeia de frio. Além do risco para a saúde, a compra fora de farmácias licenciadas é ilegal.

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O que falta decidir quanto à comparticipação de Mounjaro

O processo de avaliação avançou, o estudo técnico do Infarmed foi concluído e o Governo sinalizou intenção de avançar com comparticipação para os casos mais graves de obesidade.

Contudo, médicos e doentes aguardam com expectativa a decisão do Governo sobre qual será o modelo de comparticipação e que doentes poderão ser abrangidos, um processo que ainda pode demorar.

Uma análise em curso não equivale a uma decisão tomada. Enquanto não for publicado um despacho, portaria ou regime excecional que inclua o Mounjaro para obesidade, o medicamento permanece sem comparticipação para essa indicação.

Para situações futuras, a fonte de referência é o portal oficial do INFARMED (infarmed.pt), o seu médico ou o seu farmacêutico.

Mounjaro já é comparticipado em França

Em França existe um regime de comparticipação de medicamentos para a obesidade, sujeito aos critérios publicados pela Assurance Maladie. As regras francesas não determinam o acesso ou o financiamento em Portugal.

Em França, a comparticipação pela Assurance Maladie é de 65% desde 15 de junho de 2026, para os doentes que cumpram os critérios de acesso. Uma eventual cobertura integral depende da situação individual. Esta taxa não se aplica a Portugal.

Fontes consultadas:

  1. INFARMED - Estudo de Análise de Impacto da Comparticipação de Medicamentos para a Obesidade, elaborado ao abrigo do Despacho n.º 13066/2025, de 6 de novembro (infarmed.pt)

  2. Diário da República - Despacho n.º 13066/2025, de 6 de novembro, do Gabinete da Secretária de Estado da Saúde

  3. INFARMED - Relatório de Avaliação de Financiamento Público do Ozempic (fevereiro de 2026)

  4. Público, "Ozempic comparticipado pelo SNS vai chegar a mais diabéticos: o que muda?", 3 de fevereiro de 2026

  5. Observador - "Explicador: O que muda para os doentes com obesidade após as novas recomendações da OMS e com o estudo do Infarmed", 5 de dezembro de 2025

  6. Executive Digest - "Governo prepara comparticipação das 'canetas' para emagrecer na próxima semana", 23 de maio de 2026

  7. Euronews - "França torna-se primeiro país europeu a comparticipar medicamentos para perda de peso", 28 de maio de 2026

Fontes e verificação editorial

Referências consultadas em 20 de outubro de 2026. A atualização das fontes não constitui uma nova data de revisão clínica.

Nota: Este conteúdo é exclusivamente informativo e não substitui avaliação médica. Nem todas as pessoas são elegíveis para tratamento com medicação GLP-1. A decisão de iniciar, manter ou suspender qualquer medicamento é da competência do seu médico.

Revisto clinicamente por Dr. Ricardo Silva, médico de Medicina Geral e Familiar e Diretor Clínico da Piko (cédula profissional n.º 59459 da Ordem dos Médicos). Saiba como revemos os conteúdos.

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